segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A terapêutica da obesidade

A obesidade é uma condição crônica de origem multifatorial, o que requer tratamento com abordagem de diversos profissionais. A orientação nutricional, quanto aos hábitos alimentares, e a programação de atividade física são as primeiras e melhores opções para que os resultados sejam efetivos e alcançados de maneira saudável.

Em alguns casos, nos quais o IMC (Índice de Massa Corporal, calculado pela divisão do peso em kg pela altura em m2) é superior a 30 e o paciente apresenta outras doenças que podem ser causadas ou agravadas pela obesidade, o uso de medicamentos pode se fazer necessário, pois auxiliam na adesão ao novo plano alimentar e rotina de exercícios.

O tratamento farmacológico da obesidade é uma área de grandes mudanças. Não existe única estratégia ou medicação que deva ser recomendada para uso rotineiro. O tratamento medicamentoso só se justifica se estiver associado à orientação nutricional, mudanças no estilo de vida e caso os riscos do medicamento sejam menores que os riscos da persistência da obesidade.

Atualmente, os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade podem ser divididos em três grupos principais: a) Anorexígenos, que irão causar redução da ingestão de alimentos através da diminuição da fome, ou pelos sacietógenos, provocando o aumento da saciedade; b) Análogos da lipstatina (Orlistat), responsáveis por alterar o metabolismo, diminuindo a absorção de gordura da dieta; c) Termogênicos, os quais aumentam do gasto energético, fazendo com que o paciente gaste mais calorias que o de costume, realizando as mesmas atividades. Por ser um tratamento com múltiplas abordagens, as quais envolvem diferentes substâncias e mecanismos de ação, os efeitos colaterais e contraindicações também serão diferentes de acordo com a classe do medicamento.

A associação de antidepressivos e ansiolíticos na terapêutica da obesidade se justifica, principalmente, quando a obesidade está associada à depressão ou crises de ansiedade e compulsão alimentar. Porém, essa não é a indicação padrão, logo não são considerados medicamentos antiobesidade. Vale lembrar que o uso de diuréticos, laxantes, hormônios da tireóide e antidiabéticos (como a metformina) não são recomendados para fins de emagrecimento. Toda a terapia deve ser escolhida e acompanhada por um médico de acordo com as necessidades e individualidades de cada paciente.

Thaís Damin Lima – 8º semestre do curso de Farmácia

Referências:

MANCINI, M. C.; HALPERN, A. Tratamento Farmacológico da Obesidade. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 46, n. 5, p. 497-512, out.  2002.

Segal A, Fandino J. Indicações e contra-indicações para realização das operações bariátricas. Rev Bras Psiquiatr. 2002;24(Supl III):68-72.

COUTINHO, Walmir F.; CABRAL, Monica D.. A farmacoterapia da obesidade nos consensos. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 44, n. 1, p. 91-94, Feb. 2000.

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